Dane-se o outro! É exatamente isso que você leu.

Quando me veio a ideia de começar a escrever aqui, e a falar no Instagram também, pensei: “Gente, mas por que razão as pessoas vão querer me ouvir? Eu não tenho nenhuma conquista que seja realmente impactante. Acho que as pessoas vão pensar que estou com o ego nas alturas e que estou me achando a plena, rainha de todas as respostas”. Olhando agora, um pouco para trás, percebi novamente a presença da resistência, aquela danada que sabe muito bem meus pontos mais delicados e que um deles é – mas está deixando de ser – a importância a opinião alheia.

Quantas coisas ou decisões deixei de tomar querendo seguir meu coração – e olha que eu segui ele em muitas outras –, mas decidi silenciar por conta do que os outros iriam falar, o que iriam pensar e, meu Deus, a vergonha que eu podia fazer meus pais passarem caso decidisse sair muito da curva. “Vou com essa roupa, mesmo querendo ir com aquela, porque podem ter outra imagem de mim. Vou me policiar para não falar muito expansivamente porque podem pensar que sou oferecida.” Não vou falar sobre minha história e meus percalços porque não vão achar tão interessante. Posso falar a real? A imaturidade e a insegurança às vezes, em sua maioria, são um saco!

A verdade, e desculpa o uso de palavras chulas por aqui, mas nesse caso é extremamente necessário, FOD@- SE o outro! Começa pelo fato de que na verdade todo mundo está lidando com sua caminhada e meio perdido nela também, tentando superar as novas situações que vão acontecendo a cada instante, ninguém está muito preocupado com seus altos e baixos. Quem liga para isso é você mesmo, ou sua resistência, que usa essa artimanha para lhe fazer paralisar. Mas caso alguma pessoa esteja realmente falando sobre você, saiba que quando alguém fala de você fala muito mais sobre ela mesma (Quando o Pedro me fala sobre o Paulo sei mais de Pedro que de Paulo), e é o tipo de ser humano que vale a pena repensar se tê-lo por perto é assim tão relevante.

Desde que comecei a me observar prestei mais atenção às palavras que saiam da minha boca, se eram na maior parte do tempo coisas boas fosse sobre mim ou sobre os outros – avanços, descobertas, conquistas – ou se estava analisando a vida alheia e tecendo comentários sobre assuntos que eu somente supunha. E quando fiz esse exercício comecei a tomar mais consciência das coisas e das pessoas. De algumas eu fui me aproximando, usavam mais o pronome eu, e falando sobre suas vulnerabilidades, do que ele/ela, de outras fui me afastando com uma vontade de fechar a boca e costurar com linha e agulha tamanha a quantidade de julgamentos que saíam dali sem nem ter ideia e muitas vezes, fatos comprovados, para sair falando por aí.

Temos uma necessidade instintiva de falar, tecer algum comentário, mesmo quando não solicitado, queremos ser escutados, ainda que isso nos faça falar sobre algo que desconhecemos. A verdade é, se a sua opinião não tem nada a acrescentar, se você vai abrir a boca simplesmente para dizer o que você acha – sem ninguém ter perguntado sua opinião –, ou se você está pensando em levar adiante uma história que você ouviu, não tem 100% de certeza sobre ela, não diz respeito a você e não vai acrescentar em nada… Fique quieto! Melhor você sair por sem posicionamento do que por mentiroso ou fofoqueiro.

Dane-se o outro duplamente, seja pelo que ele está fazendo da vida dele ou o que ele acha sobre a sua. Durante muito tempo eu acompanhei canais e sites de fofoca de famosos – NADA CONTRA QUEM O FAZ, OK? DEIXEMOS ISSO CLARO –, principalmente quando tinha de pensar em algo que precisava decidir: “Só uma olhadinha para desopilar e depois volto a pensar nisso”. Iam-se horas, por quê? – e demorou um tempo para eu entender a razão – essa era a minha válvula de escape. Olhar a vida do outro, falar que a fulana estava com outro namorado, que aquela atriz não deveria ter feito o procedimento estético porque tinha ficado horrível etc… me faziam postergar as ações que eu deveria tomar e não alterava em nada a vida do famoso, somente a minha, que atrasava. Comecei a entender que as escolhas e decisões do outro importam somente a ele, e as minhas a mim. Se isso funcionou para a galera famosa, imagina para as pessoas perto de mim? Cada escolha que alguém fazia/faz e chega aos meus ouvidos, pela minha boca sai a única pergunta, que, acredito, deve ser feita: “Você está feliz?” ou “Como você está se sentindo com isso?”. Sim, simples assim.

O outro, quando comenta com você uma decisão que tomou, não quer ouvir críticas, conselhos – a não ser que lhe peça isso deliberadamente –, ele só quer compartilhar e cabe a você ficar feliz ou dar colo à pessoa. Nós não somos melhores que ninguém. Cada um faz suas escolhas de acordo com a consciência que tem naquele momento. Estamos em etapas diferentes da nossa caminhada, em alguns momentos eu estou mais evoluída que você, assim como em outros você está anos-luz à minha frente, e está tudo mais do que certo, isso não é uma corrida, é a nossa vida. O que cada um faz da sua diz respeito unicamente a ela. Não cabe a você julgar, fazer suposições e querer dar sua opinião porque acha relevante ou para fazer seu ego feliz. Olhe para você, seja um ser humano melhor para si que automaticamente você será para os outros.

Imagina, eu quase deixei de continuar escrevendo e me comunicando porque as pessoas podiam achar que o que eu tinha para dizer e compartilhar não era tão interessante. Na verdade, se o que você lê aqui não lhe agrada é simples, procure algo que atenda melhor suas necessidades. Não venha querer me mandar algo me dando dicas, ideias e opiniões – claro que se for para o crescimento elas são bem-vindas – porque você acha que seria melhor de determinada forma. Este é um modo de expressão meu, minhas opiniões e minha forma de encarar o mundo, atualmente, logo, se você não compactua – e está tudo bem, viu? – mas mesmo assim quer seguir acompanhando, ótimo, é super bem-recebido! Porém, se você é desses que precisa compartilhar sua opinião e dizê-la mesmo que não tenha sido solicitada, e se de alguma forma eu achar que foi desrespeitoso, pois não concorda com minha opinião, será gentilmente convidado a se retirar. Mais claro que isso, impossível.

Esse é um artigo para fazer você pensar, pois tenho certeza de que já esteve nessa posição e pode ser que ainda esteja, mas saiba que isso não agrega e não está levando você ao próximo degrau do desenvolvimento. Quando você preenche a sua vida, quando busca formas de evolução para si, há tanto a fazer e melhorar que passa a faltar tempo para olhar para o lado e acompanhar a vida do outro, e isso é lindo. Faça o exercício de prestar atenção ao que anda saindo da sua boca ultimamente, e, se você perceber que sai amor, leveza, pensamentos e sentimentos bons, ótimo, siga no caminho. Caso você perceba que fala e pesquisa mais sobre a vida alheia, comenta, sai espalhando informações por aí de forma irresponsável, é um bom indício por onde começar a melhorar. Todavia, seja rigoroso com você nesse aspecto, esteja alerta e tente travar a língua se ela quiser sair por aí falando mais do que sabe.

Depois me conta aqui – sim, eu quero a sua opinião – sua experiência sendo um observador de você mesmo e como se viu antes, durante e depois dela, e, se você já fez, compartilha também.

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