Pais cuidem de suas emoções

Este tempo que fiquei recolhida foi exatamente para aprender a lidar com as emoções que estão mais em evidência nesse momento porque lhe digo, levamos uma vida inteira quando se trata de “dominarmos” nossos sentimentos e a cada estação as emoções em voga podem ir mudando. Sabe quando eu disse que fui de cabeça em meu oceano interno? Pois bem, não foi só em questão de profundidade, foi em tempo também, eu voltei lá atrás, lá nos idos de criança quando nossa personalidade está sendo formada e quando muitas ideias e limites são colocados de forma externa para dentro de nós. E se tem uma viagem que todos deveríamos fazer é essa, lá estão muitos questionamentos e respostas de nossa fase adulta e ninguém, absolutamente ninguém é maduro ou adulto demais para fazer essa visita e vou além, muitas amarras que parecem sem solução podem se desfazer.


Sabe o que é louco, depois desse grande passeio a questão maternidade se abriu para mim, não, não no aspecto que você está pensando de ser mãe propriamente mas, de pontos que temos de levar em consideração quando exercemos esse papel na vida e você que é pai ou mãe pode ser que não concorde comigo ou pode ser até que me deteste quando ouvir isso, mas vejo muito mais pessoas querendo bem mais o título do que de verdade exercer o papel. Eu fui uma criança com bastante personalidade, eu ficava roxa de tanto chorar, meus pais não sabiam muito bem como lidar comigo ou você muda e se adapta ou vai sofrer muito na vida foi o que eu escutei. O ponto que quero trazer aqui é que se não fomos ensinados a lidarmos com nossas emoções e somos adultos cheios de traumas e limitações mentais, como poderemos passar lições diferentes as crianças? Eu não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, mas se colocamos para debaixo do tapete nossas dores, escondendo do mundo nossas cicatrizes o que lhe faz acreditar que será possível ensinar pelo exemplo a pequenos seres que aprendem desta forma?

Comecei a voltar a minha infância, a rever situações e cenários, falas e reprimendas que influenciaram e muito em minha personalidade e hoje tenho entendimento que foi para chegar nesse momento e querer buscar algo diferente. Crianças não são birrentas porque querem te desafiar ou chamar sua atenção elas estão tentando lidar com suas próprias frustrações e experiências, mas a diferença é que com um cérebro ainda limitado, que está se desenvolvendo e lhe pergunto adultos com emoções mal trabalhadas poderão ajudar como essa criança se eles mesmos não aprenderam a lidar com as suas decepções? Ser pai e mãe é uma das funções mais lindas que podemos exercer nessa vida, mas se não olharmos para nossas emoções interiores e curá-las somos capazes de bagunçar a vida desse pequeno ser ao invés de auxiliá-lo em sua caminhada. Seja uma pessoa melhor, senão para você, para esse pequeno indivíduo que é sua responsabilidade. Crianças, assim como qualquer outra pessoa que cruza nossas vidas, não estão aqui para satisfazer nossas vontades, estão aqui para viver a vida que lhes cabe e nos resta estarmos emocionalmente prontos, ou o mais perto possível, para saber separar isso de uma forma mais madura.

Realmente é uma tarefa que exige dedicação, sem sombra de dúvidas, além de ser uma experiência única e individual. Não sou mãe, mas tenho vivência no papel de filha e por conta dele me permiti essa viagem interna que me possibilitou ampliar meus horizontes e estar lhe escrevendo esse artigo. É meio impossível não colocarmos um pouco de nós na criação de outros indivíduos, mas acredito que você vai concordar comigo que uma pessoa que está em busca de lidar com suas próprias emoções, acolhendo e curando suas dores está muito mais atenta e alerta aos sinais, necessidades e desenvolvimento de uma criança, não é mesmo?  Longe de mim querer definir o que você deve ou não fazer quanto a criação de seu filho, o que quero abordar aqui é a importância de lidarmos com nossas emoções para ensiná-los a serem independentes e encararem da melhor forma possível as suas próprias emoções. Crianças estão sempre observando o que você faz e não o que sai pela sua boca. Se quando estamos tristes choramos e queremos atenção de quem amamos porque falaríamos a uma criança, que não tem nem ideia da onde aquele turbilhão de sensações está vindo, que ela deveria engolir seu choro? Não lhe parece contraditório? 

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