Por que resistir?

Você já andou de montanha-russa? Tenho uma razão para lhe perguntar isso. Temos dois amigos que estão prestes a entrar nesse brinquedo, ambos detestam essa adrenalina, mas se desafiaram para descobrir como sairiam depois da experiência. Um deles quando sentou na cadeira enrijeceu todo corpo, paralisado pelo medo se segurou em tudo que seus olhos alcançavam na cadeira, no cinto de proteção colado ao seu corpo, até na pessoa ao seu lado. Do início ao fim ele não se mexeu, os olhos permaneceram fechados durante todo trajeto, ele ansiou a cada segundo que aquilo terminasse. Em contrapartida, seu colega mesmo desconfortável, soltou seus braços depois da primeira descida do trem, gritou e até conseguiu rir em alguns instantes, mesmo que fosse de nervoso, ele também queria, intimamente, que aquela volta acabasse, mas decidiu entrar no clima, até porque estando ali já não havia muito o que fazer, a não ser relaxar. Após a experiência, em conversa entre eles, o primeiro amigo reclamou de dores no corpo em decorrência de ter ficado rígido enquanto o outro comentou dos momentos em que mais sentiu medo e adrenalina, mas estava feliz de estar com os pés em terra firme.

“Como essa história é uma analogia com minha vida?” Vamos juntos construir esse pensamento. O exemplo acima foi o que mais fez sentindo — pelo menos para mim — sobre o quanto, quando resistimos, as coisas podem se tornar extremamente desagradáveis. Para o primeiro amigo, que se contraiu totalmente, esse simples passeio durou uma eternidade. Ele não aceitou a situação, lutava contra ela, mesmo que quase sem reação ele queria que ela terminasse, nem ao menos se deu ao trabalho de abrir os olhos e perceber que não corria riscos. Já seu amigo decidiu aceitar que como estava no brinquedo, sem muito para aonde ir, só lhe restava entregar-se ao momento. Os dois podem ter decidido, após a vivência, que andar de montanha-russa não é para eles, porém, a atitude oposta de ambos perante a mesma situação mudou completamente a forma de enxergar tal experiência. O primeiro só se lembra de ficar de cabeça para baixo em todos aqueles loopings que vinham sem parar. Já o segundo, que aceitou o fato de estar ali e, relaxou, conseguiu desfrutar alguns momentos além de aprender uma ótima lição.

Geralmente nas situações que vivenciamos, para não dizer majoritariamente, o que nos leva ao sofrimento é o fato de ficarmos resistindo ao momento presente, ao que está acontecendo em nossas vidas no agora. Reclamamos pelo fato de não estar como gostaríamos, de não estarmos onde queríamos e culpando fatores externos. Quanto mais resistimos, enrijecendo perante às situações, como nosso amigo acima, piores os cenários vão ficando, consequentemente vamos reclamando de tudo, a vida vai nos dando mais daquilo e quando percebemos — e se percebemos — estamos presos em uma roda infinita de reclamações e resistência. Estando nela vai ficando cada vez mais difícil sair, pois, se torna algo tão habitual que você acredita que não há outras opções senão a dificuldade. Porém, vejamos o outro amigo que em um dado momento aceitou a situação, assumindo sua responsabilidade perante ela, soltou e aproveitou o que aquele momento tinha a oferecer saindo assim mais rápido e parando de sofrer. Lembre-se que o tempo é algo subjetivo, quando fazemos algo que amamos dez minutos passam em um piscar de olhos e quando aflitos um minuto leva uma eternidade.

Traga isso para sua vida, você pode sim estar passando por um momento desafiador, nebuloso, difícil e normalmente estamos, mas aceite os fatos como eles são sem conformismo ou acomodação, pois são atitudes bastante distintas. Aceite que muitas vezes as coisas não acontecerão da forma que você almejou e isso pode ser uma benção. Veja o cenário a sua volta, agradeça por ele ser um professor lhe ensinando lições que você precisa aprender, mesmo que não entenda agora. Reitero, que se o lugar que você está não é o que deseja continue em busca daquilo que seu coração almeja, mas sem desmerecer o momento presente, ele é tudo que você tem. Onde está e as situações que está passando são resultados de escolhas suas feitas anteriormente então aceite-as, mas não deixe que elas lhe paralisem em direção ao que você intenciona. Quando você para de reclamar, de resistir e tentar a todo custo remar contra a maré, você ganha tempo e energia para investir em atitudes que realmente podem lhe ajudar a avançar. Não resista ao seu momento atual, como nosso primeiro amigo na montanha-russa, receba-o, flua com ele, agradeça pelos ensinamentos e toca ficha para modificá-lo da forma que desejar.

P.S. Sou suspeita de falar, pois adoro uma montanha-russa, porém, se você nunca experimentou se joga levando a experiência para além de um momento de adrenalina, se entregue e veja como você se comporta e se já andou, aproveita e se permita experienciar sob uma nova perspectiva.

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