Você curte sua companhia?

Visando o fim de semana, aproveito para abordar um assunto em que você pode usar os próximos dias para colocá-lo em prática em algum momento ou pelo menos pensar sobre o assunto. O quanto você curte sua própria companhia? Quanto do seu tempo você despende totalmente sozinho e focado em si? Aproveitando para fazer coisas que lhe façam bem, atentando-se em seu bem-estar, colocando em dia ideias que há tempos quer tirar do papel ou ficar só deixando sua mente livre acompanhando aonde ela quer levar você? Em muitos momentos a correria é tão grande que a última pessoa da lista de prioridades é você, e esquecemos com frequência de que, se não estivermos bem, não podemos ajudar ninguém, nem mesmo nas tarefas mais banais e bobas, pois precisamos da nossa energia, não podendo nem despendê-la, e não notamos isso. Por isso bato na tecla de cuidar de você, se conhecer, saber exatamente o que lhe faz bem e o que não lhe agrada. Quer melhor forma de fazer isso do que estando consigo?

Nunca tive muitas dificuldades em desfrutar de minha companhia, mas sei que isso não é um consenso, existem pessoas que precisam estar acompanhadas, e, não entenda errado, eu gosto de ter pessoas por perto tanto quanto ficar absorta em mim. Estar com outras pessoas me exige uma maior dedicação, estado alerta, atenta ao que o outro está querendo compartilhar. Isso é algo que sempre tento desenvolver – minha escuta ativa –, até porque nos foi ensinado o contrário, normalmente só esperamos nossa hora de falar na conversa sem nem nos importarmos de verdade com o que o outro está falando. Estar ali totalmente presente, atenta, sem julgar, sem rotular, sem querer parecer superior ou qualquer coisa referente a isso é exaustivo, mas vai se tornando mais natural a partir do momento em que você aproveita tais momentos de interação para buscar se desenvolver e perceber posteriormente, em sua própria companhia, suas atitudes a melhorar.

Mas ledo engano em achar que nos momentos em minha companhia são mais relaxados, na verdade o estado de alerta é dobrado, pois se relaxar nessa hora é o momento perfeito para a Cláudia – minha sabotadora –, dar as caras e, pior ainda, ser ouvida e levada em consideração e desmerecendo tudo em que melhorei e valorizando algo em que não me saí tão bem. Porém, são nesses instantes que consigo ter mais consciência de mim mesma, ser totalmente eu, fazer atividades que me conectem comigo mesma e me tragam paz. Você já se permitiu a ir um cinema sozinho, fez uma refeição em um restaurante sozinho ou algo que normalmente sua Cláudia vai lhe repreender e dizer: “O que pensarão de você fazer isso sozinho?”. Muitas vezes vamos deixando nossa programação para depois, esperando alguém para nos acompanhar para não parecermos solitários. Que bobos somos de não vermos situações como essa da forma simples que são, uma pessoa resolvida desfrutando de sua própria companhia. Um ponto a salientar: você só irá curtir de verdade a presença de outras pessoas quando se sentir confortável consigo mesmo nas situações em que a maioria ficaria desconfortável.

Quanto mais nos sentimos à vontade conosco, mais nos permitimos nos conhecer, até os lugares mais escuros recebem luz, tomamos melhores decisões, pois paramos de buscar fora nossas respostas, silenciamos um pouco o barulho e conseguimos ver o que está gritando dentro de nós. É incrível ter com quem contar, pessoas para compartilhar, uma rede de altas vibrações ao nosso redor, mas não esqueça que você já tem tudo isso aí dentro de si mesmo. O imediatismo, a ansiedade, o medo e as diversas crenças que carregamos dificultam, em grande medida, conseguirmos ouvir nosso sábio interior – sim, todos temos ele –, por isso fazemos o movimento contrário, buscando soluções do lado de fora, mas que na verdade se encontram repousando tranquilamente dentro de nós. E é no momento de solitude, entre você e sua companhia, que se estreita essa comunicação, é durante a escrita sem restrições, durante uma meditação livre de controle, é entrega. Não existe melhor companhia que a sua, curta, desfrute-a, sinta-se à vontade consigo a ponto de sentir-se leve e tranquilo por conhecer todas as suas partes e não sentir vergonha de nenhuma delas, pois sabe que todas são necessárias para você ser completo.

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