Você já fez um balanço do que aprendeu neste período de quarentena?

Você pode não concordar comigo, mas sempre tive o pensamento de que as coisas acontecem por uma razão, sempre! Essa situação, assim como uma perda, uma dor muito grande, nos faz olhar para lugares e situações dentro de nós de que fugimos – tipo o Papa-Léguas do Coyote – assim que sua pontinha desponta no horizonte. “Ah, mas agora eu falo mais com quem amo porque tenho tempo.” Nós sempre tentamos nos justificar, é difícil para o ser humano assumir suas escolhas e principalmente admitir que se colocou como prioridade. Isso parece um erro. Nos foram dadas, antes desta pandemia e quarentena imposta, milhões de oportunidades para que parássemos – por menor que fosse o tempo – e entendêssemos as nossas reais necessidades e percebêssemos se elas conversavam harmoniosamente com a direção que estávamos tomando. Fazer um balanço mesmo.

Neste sentindo, temos a soberba de achar que estamos no controle de tudo e que podemos decidir o momento em que vamos nos ater a determinada situação e resolvê-la. O que não percebemos é que o mundo está, há tempos, pedindo nossa atenção, e, irresponsavelmente, focamos em trabalhar mais, ganhar mais e assim poder consumir mais e mostrar aos outros que somos capazes.

Estamos vivendo, a maioria de nós, por razões erradas. E aqui não tem meu ponto de vista e o seu ponto de vista, e sim o ponto de vista do ser humano, que se apega a atender suas prioridades físicas e materiais sem parar um segundo para se ouvir, ouvir seu corpo, suas reais necessidades, ou você acha que é o seu corpo que pede para comer mais aquela fatia de torta? Não, é a fuga para não olhar para aquela emoção gritando por atenção, e na busca de silenciá-la, mais uma vez, se corre sedento por uma satisfação instantânea de prazer que em minutos traz um novo vazio e começa uma nova busca por calá-la, presos em uma roda.

Ainda assim, nos foram dadas inúmeras chances anteriormente, porém pouco utilizadas, sendo necessário parar o mundo para que nos olhássemos, a nós mesmos e às pessoas do nosso convívio, com mais afeto; imagino que sairemos muito diferentes depois desta quarentena, e não cheios de promessas, como na virada do ano, mas com atitudes. Fomos privados do mais primordial dos direitos, o de estarmos perto de quem amamos, de poder abraçar e tocar; acredito que o mundo está querendo nos mostrar que precisamos amar, não somente nossa família, amar a todos, pensar no outro… Já falei aqui antes (O quanto você está se deixando para depois), e é algo em que acredito e exercito: você tem que ser sua prioridade 1, 2, 3, 4, mas acho que não fui clara quanto ao que vem depois.

Quando você aprende um pouco mais sobre você mesmo, está na hora de olhar para o outro, é uma forma diferente, mas que resulta também em conhecer a si mesmo. Se preencher de você transborda a ponto de você querer, e poder, distribuir essa atenção. Somos partes de um todo, e, sim, o planeta está nos chacoalhando para que entendamos de uma vez por todas que o espírito não é, e nem nunca foi, de olhar só para si e sim para o coletivo, de sermos seres humanos melhores.

Espero do fundo do meu coração que este período de quarentena esteja sendo aproveitado para fazer listas de prioridades, de sonhos, de olhar para dentro sem receio do que vai encontrar por lá, mas também que esteja sendo um período de ação, de trazer para a realidade aquilo que só mantinha no plano da idealização, onde tudo parece perfeito.

Que este tempo ajude a clarear seus olhos, ouvidos, toque para que quando vá para o mundo novamente saia com os sentidos aflorados e refinados e perceba tudo como uma criança, se deleitando com o todo maravilhoso que o mundo tem para oferecer. Que as pessoas saiam mais sensíveis consigo mesmas e com as demais, percebendo que nada nos difere e que somos melhores quando estamos juntos.

Quais mudanças já percebeu em você neste período? Me conte aqui, quero muito saber. Uma boa quarentena a você.

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