Vulnerabilidade – uma fraqueza ou sua maior força?

Descobri Brené Brown há cerca de um mês, durante um curso a professora indicou um vídeo dela, como inspiração, para olharmos. Desde então, eu já vi este vídeo, e alguns outros dela, uma porção de vezes. Mas, voltando, aquele primeiro vídeo reverberou em mim. Brené aborda de forma única seu estudo – de mais de 15 anos – sobre vergonha, exatamente, uma pesquisadora no estudo sobre vergonha. O receio que temos de mostrar nosso lado sensível, nossas dores, nossas angústias, nossos devaneios, por favor, “que ninguém descubra coisas do meu passado”. A própria Brené, quando deu a sua palestra – para algumas centenas de pessoas –, ficou em choque ao ser informada que seria disponibilizado no YouTube e que – na cabeça dela – 4.000 pessoas pudessem ver seu momento de maior vulnerabilidade, quando ela diz que passou por um esgotamento. O vídeo alcançou mais de 39 milhões de visualizações e trouxe conhecimento global a ela, mas, além de tudo isso, a meu ver tirou a autora da sombra de só acompanhar histórias e comparar seus dados, ela foi para a arena, se tornou protagonista e experimentou na pele aquilo que ela somente estudava, e isso sim lhe traz conhecimento de causa inquestionável.

Somente uma adição ao contexto: jogando limpo com você, pensei diversas vezes se deveria ou não fazer o blog, pois escrever aqui me deixa vulnerável, você tem acesso a informações bastante particulares, e isso dá medo. Pensei: “Estou exposta, e agora?”, mas só conseguia pensar e sentir que todas essas informações precisavam ser divididas. Aquele vídeo de 20 minutos me tocou de uma forma intensa, chorei, pois vi ali que minha ideia do blog era uma certeza vindo como uma avalanche sobre mim, daquelas certezas que, nem que você não queira, ela pega você pelo braço e diz: “Nós vamos, chega de se esconder!”. E juro a você, eu queria de todas as formas me esconder, ficar invisível, é bem mais fácil ficar na arquibancada, mas percebi que era a vergonha – utilizando a pergunta: “Você acha que é boa o suficiente para escrever para os outros?” – querendo calar um projeto que só tem a intenção de fazer bem, então mandei ela passear.

Não havia percebido, até então, que em diversos momentos busco a vulnerabilidade, quando peço desculpa sem pestanejar, quando me exponho sem saber qual vai ser o resultado – como aqui no blog –, quando eu digo “eu te amo” sem cerimônia e sem esperar de volta. Estou aqui dividindo com vocês histórias da minha vida que têm uma grande importância para mim e eu não sei o que virá depois disso, mas preciso compartilhar com vocês que com 32 anos e através de um vídeo de poucas semanas atrás eu descobri uma das minhas características mais presentes e que me dá forças e não me apaga como eu costumava pensar.

Foi através da minha vulnerabilidade que me permito ir e voltar, começar cursos em áreas tão distintas, crescer em diversos aspectos, conhecer pessoas incríveis, me amar e me sentir amada, e é por causa dela que eu não desisto de encontrar o que eu realmente quero fazer, e em razão dela faço questão de não esconder isso de ninguém. A vida não é fácil, se abrir para ela, se arriscar sem saber no que vai dar, se terá retorno e qual será… e esse é o mais bonito dela, o quanto ela exige de você coragem, atitude, jogo de cintura, entrega e muitas vezes acreditar mesmo no escuro. Seja amável com você, somos com as pessoas ao nosso redor mas nos tratamos como se fôssemos os últimos merecedores de nossa atenção. Suas relações são um reflexo de como você se trata, lembre disso.

Dividir com você tudo isso é para mim um ato de coragem e satisfação – advindos da vulnerabilidade –, daqueles que me fazem acordar feliz com minhas atitudes, e quero que você prove essa sensação também. Por isso convido você a se permitir ser vulnerável e permitir que as pessoas próximas a você também o sejam. Não ria, não julgue, não caçoe quando alguém abre o coração a você, isso é um ato de entrega e confiança, respeite como você gostaria que fizessem com você. Se dê a ousadia de dar o próximo passo no escuro. É incerto? Certamente, mas deixe eu lhe falar, tudo na vida é, então se permita ser visto, de verdade, por aqueles que você ama e permita-se olhá-los também com o coração.


Abaixo deixo a você duas oportunidades de vídeos curtos, porém incríveis, de Brené, caso sinta de vê-los e começar a semana com inspiração, determinação e vendo a questão vulnerabilidade de outra forma.

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