Por que fugimos dos erros?

O homem na arena – Theodore Roosevelt

Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor.

O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente.

Trecho do discurso “Cidadania em uma República” (ou “O Homem na Arena”), proferido por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910.

No artigo anterior falei sobre ocuparmos nosso lugar no mundo (link), mas faltou falarmos sobre algo fundamental que irá acontecer a partir do momento em que você começar a se colocar em ação. Você vai errar, em todas as áreas da sua vida e de formas inimagináveis – mesmo que seja detalhista e metódico –, e isso é tão claro quanto a luz do dia, porque essa é a vida quando você está em movimento. E o que tem de errado com isso? Absolutamente nada! O erro é tão somente uma das possibilidades que podem resultar das escolhas e atitudes tomadas. Eles fazem parte de quem está na arena e também do nosso crescimento, tenho certeza de que se lhe perguntasse agora algum momento marcante seu, de amadurecimento, que lhe venha à mente, provavelmente adveio de um erro cometido acompanhado de agradecimento pelo ensinamento. Quando a lição é vivida e aprendida, vemos com antecedência a possibilidade de sua repetição nos permitindo ajustar nossa vela com tranquilidade e partir em outra direção, isso não é ótimo? Então, por que razão fugimos dos erros?

A questão é que desde muito pequenos fomos ensinados a rejeitar o erro, pois errar tem uma implicação ruim, remete a repetição, trabalho dobrado, repreensão e de alguma forma punição, então, nada mais natural que fujamos dele. A dificuldade é que crescemos com essa visão e tomamos como algo extremamente negativo, nos tornamos mestres em nos enrolarmos em nossas próprias desculpas – como o perfeccionismo –, para não sairmos do lugar e culparmos a vida por todas as frustrações. Nesse aspecto nossa geração é chata e melindrosa, sempre buscando justificativas e culpados para suas fraquezas, dando-se a desculpa de acúmulo de conhecimento, de preparação para se desenvolver e agir no momento certo, sendo que o único momento certo é agora, o resto é procrastinação. O quanto você está disposto a ir à luta para conquistar alguma coisa, de verdade? E não é para mim que você tem que responder e sim para a vida – e não adianta mentir –, é ela que você vai ter de enfrentar e provar o quanto está comprometido, o quanto aguenta ficar de pé enquanto ela lhe coloca empecilhos, dúvidas, incertezas e erros. Você não é privilegiado por isso, acontece com todos de formas distintas.

Fugimos tanto da ideia de errar que paralisamos para evitar que isso ocorra, acabando, por fim, estáticos, sem evoluirmos e nos tornando eternos dependentes emocional e financeiramente. Como no discurso de Roosevelt, mencionado acima, “o crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena, que luta bravamente…”, e isso não é certeza de vitória, mas de aprendizado sempre. Por isso, erre, erre muito, sem medos ou receios, estruture novamente, ajuste o necessário e vá de novo pela milésima vez se assim for necessário, mas não paralise. As coisas não fluirão da forma como imaginou porque a vida real é muito diferente das nossas fantasias, mas isso não significa ruim. Pare de se sabotar com desculpas, acumule tentativas, equívocos, aprendizagens e acertos, uma hora eles vêm e fazem tudo valer a pena. Entenda que os erros acompanharão você sempre, faça as pazes com eles, o mais rápido possível, e continue. Qual seria o problema de errar e começar de novo? Isso acontece o tempo inteiro. Vá com medo mesmo.

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