Como anda a sua cobrança?

Quero terminar esta semana falando de cobrança, melhor, querendo tirá-la um pouco da centralidade da sua vida, se esse for o seu caso. Eu não tenho dúvidas de que você se exige demais – eu sei, porque eu sim –, exigindo perfeição, se cobrando que não conseguiu fazer as atividades que tinha se proposto, e como eu sei disso? Porque vivemos em uma sociedade em que a exigência contínua parece natural, seja a ter tal aparência, estarmos sempre sorrindo e felizes, a estarmos formados e que sejamos capazes de dar conta de tudo sem escorrer um pingo de suor do rosto, isso está incrustado em nós. Somando a essa conta a comparação, acessível a uma tela de distância mas que faz com que procuremos os piores adjetivos para nós mesmos. E caso você não consiga manter a dieta no tempo que tinha se proposto, se falhou em algum dia a atividade física ou não conseguiu dar conta de todas as ocupações do dia, imagina as sensações que despertam esse cenário? Frustração, incapacidade e vergonha – porque a sua cabeça já está lhe dizendo, nesse momento, que todo mundo consegue, menos você –, e qual a melhor decisão a tomar em casos assim? Larga-se tudo de mão, porque assim não há como se frustrar, voltando-se para o que é obrigatório e exige ação imediata.

A questão aqui é que nos autoflagelamos inconscientemente na primeira oportunidade que aparecer. Semana passada, após realizado um mês de testes que havia me comprometido, comecei a querer me estender na cama, a ficar mais distraída, tendo uma vontade maior de estar ao ar livre, deixando assim minha sequência de atividades matinais toda embaralhada no dia, fazendo-as cortadas e em algumas vezes até deixando de fazê-las. Em um primeiro momento pensei: “Realmente, Josiane, você não é comprometida com sua caminhada, onde já se viu querer ficar mais na cama, a vida acontecendo e você achando que está com ela ganha?”. Sempre tento trazer a minha realidade nos artigos aqui no Inspirações, e, para que não pense nem por um instante que sou diferente de você, estou diariamente lidando com minha mente que quer me desanimar, me fazer desistir, me sentir incapaz. Já fiquei muito mal dando ouvidos a ela, tentando recuperar o tempo “perdido” e fazer tudo ao mesmo tempo, e obviamente de forma superficial, pois minha cabeça não estava nem um pouco concentrada. Mas desta vez optei por escutar meu corpo, ele precisa descansar, ver outros cenários, e me permiti entender o momento e fazer o que senti, então preferi não me massacrar com pensamentos de que tinha colocado tudo a perder depois de semanas me superando, e aceitei que o mais importante de tudo é consentir, entender e voltar.

Como assim, voltar? Vamos desmembrar aqui. Por exemplo, você quer melhorar a sua flexibilidade e introduzir uma atividade na sua rotina e se comprometeu a fazer todos os dias, durante vinte dias, uma série de movimentos durante quinze minutos – que é o tempo possível para tal –, e nos primeiros nove dias você está animado, está conseguindo se programar, fazer a atividade no mesmo horário a que tinha se proposto – dá uma sensação boa depois de terminar, né? –, está quase na metade, é pura animação, mas aí aparece um dia corrido no meio da sua semana para o qual você não tinha se programado, e aquela atividade física não tem a menor possibilidade de ocorrer, de primeiro ela caía para o último lugar nas suas prioridades, porque os movimentos que nos ajudam a manter a consciência, nos relaxam e elevam a endorfina são os primeiros a sofrerem a postergação. Acontece que a correria ocorre no dia seguinte, e depois, e quando você percebe foram quatro dias e vem à mente: “Agora não vale mais a pena, você furou muitos dias, tem coisas mais importantes acontecendo, melhor dar um tempo e começar tudo de novo para daí fazer corretamente até o final!”. Sinal alerta ligado! Preste atenção que essa é a sua cabeça querendo que você desista porque não está fazendo da forma como havia se planejado e para que você se sinta frustrado de não conseguir terminar o que havia se comprometido. Eu lhe falei que a maior parte do tempo ela não trabalha a seu favor, principalmente se você quer subir de degrau, lembra da resistência?

Então, deixa de ser seu algoz e volta para o que você tinha se planejado. Se você teve um imprevisto e não conseguiu realizar hoje aquilo que tinha se comprometido, tudo bem, imprevistos acontecessem, amanhã acorda mais cedo e faça a atividade a que se propôs com tranquilidade, não se cobre por hoje não ter acontecido da forma como você queria – muitas vezes não vai –, trabalhe com a adversidade, tenha mais forças que ela e pense que é um compromisso com você, seu bem-estar e sua evolução. Não importa qual seja o resultado que você almeja, foque na intenção. Se você cumpre suas responsabilidades com os outros, por que não fazer o mesmo consigo? Sua cabeça vai tentar boicotar você, esteja atento para perceber por qual caminho ela tentará parar você e vá por outro. Se estiver cansado hoje, beleza, descanse, mas fale isso em voz alta para você: “Ok, hoje eu estou cansado, meu corpo precisa descansar, mas amanhã eu estarei melhor e farei tal atividade!”. Simples, é muito melhor do que ficar se maldizendo, se diminuindo e acreditando que você não consegue. Trabalhe seu jogo de cintura com sua mente e não desanime porque você falhou um dia – ou alguns –, apenas volte, sem dor na consciência, sem cobrança, o trabalho não foi perdido ou em vão porque você deu uma parada, retome de onde estava e siga, pois o tempo que você perde ouvindo sua cabeça criticando você poderia estar colocando algo melhor em ação.

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