Em que momento do despertar estou? Fase 1 – Início da jornada

Senti de falar um pouco sobre esse assunto por aqui. Já havia dado anteriormente algumas pinceladas sobre minha caminhada, mas acho que vale o desmembramento de uma forma mais detalhada. O foco do Inspirações da Musa sempre foi para você, que está na caminhada do despertar, perceber que não está só, e senti que me distanciei um pouco, por isso voltemos. E como podemos mostrar para uma pessoa que não há nada de errado com ela e suas dúvidas? Mostrando as suas, se abrindo e revelando que todos nós passamos por momentos de tensão, de isolamento, de achar que não está “batendo muito bem da cabeça”, de sentir-se só até que as coisas comecem a fazer um pouco mais de sentido e você aceite e entenda que é uma nova pessoa. Pensei, assim, em fazer uma timeline da minha caminhada, transmitir como as coisas foram se desenrolando. Isso não é um passo a passo, até porque isso não existe quando estamos falando de despertar, com cada um acontece à sua maneira, e a sua causa podem ser diversos fatores. Apenas fique receptível para perceber se você se identifica com uma ou algumas das fases ou se está sentindo tudo isso de forma distinta, o que também é possível. Esse será o primeiro de uma série de artigos sobre as fases do despertar.

Primeiramente, é necessário situá-lo de que antes de embarcar nesse mundo de descobertas do meu eu a situação era bem diferente na minha forma de ver a vida. Já fiz uma mescla de vários pontos em alguns textos, porém quero ir um pouco além aqui. Tenho com isso a intenção de mostrar que cada um de nós pode despertar, não existe um mais propenso que outro, basta o sentir e o querer. Bem, meu negócio eram livros de romance, filmes de romance, séries, sites de fofoca, conversas sobre pessoas, comparações e muito foco na minha imagem e no externo, a famosa ideia de que para parecer ser você tem que ter, isso me acompanhou durante anos e acreditava que tudo se encaixaria por si só no fluxo normal da vida. Pode ser que eu vivesse em um mundo de ilusão? Pode, mas chegou um momento em que ele colapsou, comecei a me ver perdida do todo e de mim, me distanciava cada vez mais da pessoa que eu queria ser e nem percebia isso, tive que me reestruturar.

Estava sentindo que as coisas não estavam se fechando entre minha cabeça e meu coração, quase nada fazia sentido, muitas dúvidas pairavam sobre a minha mente, mas a teimosia faz a gente levar um tempo até entender que alguns aspectos estão fora de compasso. Não sabia o que era o desconforto que me acompanhava e nem por onde começar a mudá-lo. Desistir de morar no México – que era o plano, há anos – e voltar ao Brasil já foi uma atitude estranha para mim, mas não sei lhe dizer, sabia que tinha de ser feito. A partir dali as coisas se intensificaram. Uma das influências do retorno era um relacionamento da época, que meses depois acabou. Normalmente as pessoas acreditam que o processo do despertar tem de ser pela dor, mas isso não é uma regra. Há pessoas que são mais sensíveis e percebem os sutis indícios de que algo está diferente em si e ao seu redor e começam sua caminhada de forma mais suave, tranquila, sem ter de passar um grande trauma ou dor. Não foi o meu caso, a galera do despertar percebeu que para me tirar de onde eu estava – por mais que já estivesse me sentindo incomodada – ia precisar tirar o meu chão. E foi o que aconteceu, os três meses seguintes foram de uma intensidade tão profunda que eu posso dizer que eu morri e renasci nesse período.

Foi uma conjunção de fatores que fizeram com que aquele tempo tenha sido de verdade sombrio. Não saber claramente meu rumo na vida, a forma como me cobrava por ter feito um curso superior que já não queria mais seguir, dúvidas, inseguranças, ficava me questionando onde eu estava nos últimos anos que fiz tantas péssimas escolhas. Veio tudo de uma vez só, tudo ali na minha frente desmoronando – e eu junto –, sem força de segurar mais nada. Pense em semanas acordando e dormindo chorando, e no ínterim também, debatendo com meus pais como eu poderia ter feito diferente. Eu vivia um luto, naquele momento acreditava ser da separação, mas tendo um melhor entendimento depois percebi é que doía tanto porque a Josiane estava morrendo – era a única forma que conhecia de ser –, e eu mesma estava matando ela, por querer. Pense o quanto é profundo isso? Para você ser o que quer ser você tem que matar quem era e nem sempre isso é tão fácil. Se você está passando por essa fase, entenda que é difícil mesmo, estamos apegados àquela forma que conhecíamos a vida inteira, e nos jogarmos no vazio com os olhos vendados sem nenhuma certeza, essa é a impressão, é um pouco assustador, mas não tente voltar, porque aliás não há como voltar, continue firme em frente. Você consegue.

Não tinha motivo forte o suficiente que me tirasse de casa, não queria ver o Sol, não queria interagir, nem com minhas amigas da época. Começou a me sobrar tempo, e já tinha resolvido não mais remoer o passado, então me restou ir para o único lugar que tinha sobrado, para dentro de mim. Vale ressaltar que eu ainda não tinha percebido o que estava acontecendo, pois essa forma de agir perante as situações era a minha habitual, não tinha nada de novo até ali, mas aqueles momentos sozinha começaram a ser mais importantes que qualquer outro momento do dia e eu estava voltando a me sentir um pouco animada.

Foi assim que iniciaram as meditações, que em pouco tempo se tornam hábito diário, uma coisa que lia me levava a outra e mais formas de me conhecer, me identificando com o que as pessoas que eu lia falavam ou escreviam, me aprofundando naquilo tudo que parecia fazer muito sentido. Eu ainda não conseguia ter a dimensão de para onde estava indo, mas estava cada vez mais claro que aquela Josiane da vida inteira tinha partido de vez, por mais que buscasse não encontrava mais ela em lugar algum e aceitei que a partir de então teria que me redescobrir. É animador contar isso porque pode parecer dolorido – e foi –, mas foi uma benção, sabe? Então, se você de alguma forma se viu nessa história ou está sentindo um vazio aí dentro, algo incomoda você e não consegue identificar o que é, fique um pouco mais atento ao que tem chegado a você, pode ser uma conversa, uma pessoa, uma ideia que surja de repente, permita-se ficar mais disponível e aberto para aquilo que está querendo se aproximar – ou até mesmo se afastar, que pode acontecer. E se tiver que ser doido, não evite, encare com firmeza e, se sentir que precisa de ajuda, não hesite em pedi-la.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *